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2026-05-15T15:22:02.000Z
Sei, logo sei ensinar?
Vamos refletir, por alguns minutos, sobre a trajetória de formação de um professor. Inicio, então, com a pergunta clássica: como se forma um professor? Para professores de ensino básico (fundamental e médio), existe uma trilha bem caracterizada: a licenciatura. Para o ensino superior, todavia, as circunstâncias podem ser bem diferentes. Uma instituição de ensino superior – em especial nas ciências da saúde – é cheia de bacharéis, com formações abrangentes em suas determinadas áreas do conhecimento. São profissionais com diversas formações que, mesmo não tendo escolhido o “ensinar” como atividade inicial, passaram a focar suas carreiras na docência. Existem, também, aqueles que – por muitos motivos – migraram da assistência para a docência ou, ainda, dividem o seu tempo entre assistência e docência. Pode-se dizer que a caracterização do profissional docente de nível superior é um labirinto de caminhos diversos, uma vez que não há uma planificação e nem uma estratégia de carreira linear que leve até a formação do professor universitário.
Se alguém te perguntar: “o que é preciso para ser professor no ensino superior?” O que responderias? Provavelmente, dirias que é necessário ser formado em um curso de graduação, talvez um mestrado na área de conhecimento de sua preferência, talvez um doutorado.... Se parares para pensar um pouco, entretanto, notarás que nenhuma dessas etapas efetivamente traz embasamentos para desenvolver a docência. Isso porque nós (bacharéis) acabamos estudando muito sobre a nossa área e agregando valor ao conhecimento específico de temáticas que escolhemos para a vida assistencial. O que é ótimo! Mas... onde aprendemos as competências de ensinar? Em alguns programas stricto sensu existem os estágios em docência, entretanto, não há uma carga horária volumosa para isso, uma vez que não é uma atividade prioritária.
Em resumo, o cenário acaba por promover a prevalência de uma formação altamente específica, sendo que o professor pode estar sendo lançado no mercado de trabalho com pouco preparo para atuar fundamentado em questões relativas ao desenvolvimento e à aprendizagem humana, às relações interpessoais e à dinâmica de sala de aula.
Então, esta dicotomia entre o desenvolvimento do saber específico da área profissional
versus a construção de boas práticas em sala de aula, sobrevoam inquietudes na formação docente. São duas atividades importantíssimas, que se complementam. São profissões que requerem diferentes competências.
Enquanto em outros níveis de ensino o professor é bem identificado em relação às exigências de sua formação para atuar, no ensino superior parte-se do princípio de que sua competência advém do domínio da área de conhecimento na qual atua. Há um imaginário de que qualquer sujeito que saiba algo, pode ser professor. Esta linha de pensamento é equivocada: há diferenças entre saber um determinado conteúdo e ter a capacidade de transmitir esse conteúdo.
As sociedades se transformam constantemente e, assim, cria-se a necessidade constante de modificar as tradicionais formas de ensinar. Passa a ser importante aprimorar as práticas e reconduzir os saberes docentes para que não se limitem à transmissão de conhecimento aos alunos, mas sim, apontem para um conjunto de fatores que são construídos e adquiridos com a formação, com a experiência, com as vivências e habilidades específicas alcançadas com o tempo.
Dado que o “ser professor” universitário exige uma teia complexa a ser contemplada, a construção desta profissão exige atenção a múltiplos fatores. Todos igualmente importantes, já que, definitivamente, não é só dar aula!
Precisa-se ter familiaridade com metodologias de ensino, formas de avaliação, documentação acadêmica, estágio, iniciação científica, curricularização da extensão, apoio psicopedagógico, tecnologia, inteligência artificial, regulamentos do ministério da educação... e muito mais.
É muita coisa! Como os processos são dinâmicos e vivos, é preciso criar a cultura do desenvolvimento contínuo destas competências, para que as práticas possam estar sempre alinhadas às necessidades dos estudantes. A educação continuada ajuda muito, as trocas de experiência com os colegas também. O importante é sempre estar atento à qualificação para os novos mundos que surgem a todo o momento.
Por tudo isso, é lúcido pensar que, qualquer profissional que se dedique ao ensino, deve encontrar meios para criar instrumentos que o permita abrir os horizontes das práticas educacionais. Os afazeres docentes requerem seguidas recalibrações, sendo que, estas somente poderão ser acompanhadas através do esforço da busca constante.
Para que possamos, juntos, construir o entendimento deste mundo do “ser professor”, te convido para o Pós-Graduação em “Docência no ensino superior para ciências da saúde” Sírio-Libanês. É um espaço de discussão e de criação de possibilidades educacionais. De forma reflexiva e experiencial, vamos trocar ideias sobre caminhos que concedam aprendizagem significativa aos nossos estudantes.
Prof. Dr. Adroaldo Lunardelli - Coordenador de Pós-Graduação no Ensino Superior para Ciências da Saúde na Faculdade Sírio-Libanês.